sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Reflexão sobre avaliação de Recursos Educativos Digitais

            A Web 2.0  (O'Reilly, 2005) é caracterizada pela intensificação da participação (Jenkins, 2008). Fala-se em utilizadores participativos e na inteligência coletiva. A criação, a utilização e a remixagem de conteúdos tornam-se atividades comuns. As aplicações tornam-se acessíveis a todos e a rede está em constante mudança, o eterno Beta (O'Reilly, 2005; Basu, 2008; Mota, 2009). Como Hemetsberger (2003) refere, os utilizadores da rede passam de consumidores passivos a intervenientes ativos, a produtores. Atualmente, uma parte dos utilizadores da rede são os chamados prosumers [vide nota i], consumem, produzem e são consumidos.

            A reunião das características da Web 2.0 (conteúdo colaborativo; partilha; utilizador como mais-valia; organização de conteúdo por parte do utilizador; aplicações sem ciclos de lançamento) facilita a produção, resultando num crescimento dos recursos na rede.  Todos os dias surge uma multiplicidade de informações na internet. Os blogues, portais, repositórios estão por todo o lado e é inevitável deixar de consultar a internet para encontrar recursos úteis à educação.
A recente e generalizada disponibilidade de recursos educativos digitais na Internet encerra um grande potencial de transformação da educação.
(Recker, M. et. all., 2005 apud Ramos, J.L.; Duarte, V.D.; Carvalho, J.M.; Ferreira, F.M. & Maio,  (Graça, 2006)
            Este potencial é igualmente reconhecido por João Carlos Antunes do Centro de Competência da Beira Interior (Borges, 2007, p. 23) quando refere que os recursos disponíveis na internet têm potencialidades para se tornarem excelentes ferramentas para o professor.

Os Recursos Educativos Digitais (RED) são produtos em suporte digital destinados aos contextos de aprendizagem e serviços de suporte e apoio à sua utilização (Carneiro, 2010, p. 71). Ramos (Pedroso, 2008) refere-se aos RED como um produto de software ou um documento no seu sentido lato.  Para tal ser, deveria obedecer a algumas propriedades:
1.      Ter uma finalidade intrinsecamente educativa;
2.      Enquadrar-se nas necessidades do sistema educativo português;
3.      Ter uma identidade, uma autonomia, relativamente a outros documentos digitais;
4.      Corresponder a padrões de qualidade previamente definidos.

            Segundo Højsholt-Poulsen (Pedroso, 2008),  um dos maiores obstáculos, imperativo para a adoção dos Recursos Educativos, é simplesmente o de os professores não terem conhecimento das oportunidades.Essa ideia é igualmente transmitida pela equipa de Luís Ramos:
Os recursos existentes estão dispersos e desorganizados, não sendo fácil aos professores encontrá-los rapidamente. Os próprios professores admitem haver uma relação entre a familiaridade com a tecnologia e o conhecimento acerca de recursos disponíveis, assim como a qualidade e a diversidade da sua utilização educativa.  (Ramos, 2010)
Roberto Carneiro (2010, p. 71) afirma que a utilização de RED para alavancar a aprendizagem dos alunos depende da existência de uma vontade ativa por parte de cada docente e da concepção dos RED como uma ferramenta de trabalho diário. Berners-Lee justifica igualmente o sucesso de wikis e blogues com o entusiasmo com que os utilizadores os adotaram (Berners-Lee, 2000 apud Mota, 2009), ou seja, mais uma vez depende da vontade do utilizador querer consumir ou passar a ser produtor. Como um colega recentemente referiu, "a minha participação é voluntária, mas a classe docente é pouco voluntária."  Assim, é essencial apostar na formação profissional dos professores em exercício de funções, de forma a colmatar esta lacuna na parte ativa. Fernando Costa (Anibal, 2005) refere igualmente a necessidade de apostar na formação da classe docente.      
            Regresse-se à questão da abundância de informação e recursos na rede. Segundo Manuel Mota apud Carvalho (Graça, 2006),  a internet  é uma mina de ouro, mas numa mina de ouro, por cada tonelada de minério há cerca de 10 gramas de ouro, ou seja, quantidade não implica qualidade.
Se por um lado, com a Web 2.0, são facultados os instrumentos para produzir Recursos Educativos Digitais, por outro lado, a própria rede e as tecnologias de informação impõem uma mudança constante e ritmos de inovação que implicam uma constante atualização de conhecimentos. Novamente estamos perante uma necessidade de formação e de inovação constante para acompanhar o desenfreado ritmo da rede. Conseguirá a classe docente acompanhar este ritmo por muito tempo? Já se registam vozes que creem que as escolas não conseguem aguentar este compasso por muito mais tempo (Bates, 2012) (Levin).
A qualidade dos recursos educativos tem preocupado a comunidade educativa e as instituições responsáveis pela educação (Castro, Ferreira, & Andrade, 2011; Barrueco Cruz, 2010; Becta, 2008; Commonwealth of Learning & UNESCO, 2011; JISC, 2008). Assim, surgem iniciativas para avaliar e prover qualidade aos RED, cada vez mais abundantes na rede (epprobate, Recolecta, SACAUSEF ).

O que é qualidade? 

Segundo José Ramos (Pedroso, 2008), qualidade é uma propriedade atribuída a um produto de acordo com um conjunto pré-estabelecido de dimensões e de critérios. Já Nielsen (2000 apud Campos, 2009, p. 12) refere que é uma meta que implica um processo contínuo de planificação, análise, desenho, implementação, promoção e inovação, para assegurar que a informação cubra as necessidades dos utilizadores relativamente ao conteúdo, apresentação e utilização.
Segundo Campos (2009), a avaliação de recursos deverá ser um processo transparente e contínuo segundo determinadas dimensões de qualidade. Os recursos deverão cumprir critérios de qualidade previamente definidos.

Que critérios definir e como aplicar esses critérios?

São várias as propostas para avaliar recursos educativos digitais (Nesbit, Belfer, & Leacock, 2003). Apenas em relação à avaliação de portais educativos, Ana Amorim Carvalho (Graça, 2006) apresenta-nos vários conjuntos de critérios [vide nota ii] relativos à análise de um portal que parecem não ter fim. Como saber que critérios aplicar? Como saber se um conjunto de critérios se aplica melhor que outro a um portal ou a uma simples página de exercícios em formato .doc? O rigor da análise inicia com a escolha adequada dos critérios apropriados, mas como chegar a uma conclusão?  

Componentes de um portal educativo
Fonte: Carvalho (Graça, 2006, p. 61)
Tal como referido por Ana Carvalho nesta representação, um bom portal deverá conter todos estes indicadores de qualidade/componentes, sendo que estes não são estanques, mas estão interligados. Juntos contribuem para dinâmicas interativas, autossuficientes e de responsabilização na aprendizagem e na produção de trabalhos.

Que instrumentos para avaliar existem?

Estão disponíveis neste momento na rede alguns instrumentos de medição criados por várias entidades governamentais e não governamentais. Eles são indicadores de qualidade (Becta), guias (FECYT) (SACAUSEFII), grelhas orientadoras (epprobate, LORI, ERAC). O que estas têm em comum é o emprego de uma escala de níveis. Barrueco Cruz (2010) propõe na análise de repositórios espanhóis uma escala dicotómica muito simples: sim/não, facilitando a análise. Será possível uma escala igualmente acessível para empregar na avaliação de recursos digitais tal como software educativo ou recursos educativos digitais como portais, cursos, apresentações, blogues...
Existem alguns repositórios cuja avaliação (através da revisão) é efetuada pelos pares e/ou por membros dos repositório, como é o exemplo do Curriki, enquanto outras preferem o feedback de determinados utilizadores de renome. 
            Sinto que, como utilizadora da rede e educadora, ainda me escapa muito desta informação que está disponível e que deveria ser de fácil acesso a quem pretende utilizar/adaptar/criar RED.
            Esta demanda em busca da qualidade dos RED já existentes e aqueles que poderão vir a surgir é, no entanto, consumidora de tempo. Conseguirão as tentativas de avaliar os recursos acompanhar as mudanças na rede? Os indicadores de um bom portal ao longo do ano foram alterados, dos texto longos aos gifs, à simplicidade  de layout e design gráfico até à edição colaborativa online (Graça, 2006). Qual será a próxima evolução? Estaremos preparados a nível de criação de novos RED ou irão os educadores criar recursos usando tecnologias já ultrapassadas e indicadores de qualidade que já não respeitam os novos critérios de qualidade?


Notas:
[i] Termo criado por Alvin Toffler (1980) na obra Third Wave.
[ii] (Alexander e Tate,1999; Mich et al., 2003; Carvalho et al., 2005; Tillman, 2003; Grassian, 2000; Richmond, 2003; Beck, 1997; Smith, 2005; Kapoun, 1998; Tweddle et al., 1998; Greer et al., 1999)

Referências


Anibal, G. (2005). Utilização e avaliação de software educativo. Obtido em janeiro de 2012, de CRIE: http://www.crie.min-edu.pt/index.php?section=176&module=navigationmodule
Barrueco Cruz, J. M. (2010). Guía para la evaluación de repositórios institucionales de investigation. Obtido em 16 de janeiro de 2012, de FECYT: Recolecta: http://www.recolecta.net/buscador/documentos/GuiaEvaluacionRecolectav1.0-1.pdf
Basu, S. (2008). Software is Forever Beta. Obtido em janeiro de 2012, de The Bytebaker: http://bytebaker.com/2008/12/12/software-is-forever-beta/
Bates, T. (2012). Is there too much innovation in education? Obtido a 15 de janeiro de 2012, de online learning and distance education resources: http://www.tonybates.ca/2012/01/14/is-there-too-much-innovation-in-education/
Becta. (2008). Choosing and using digital learning resources - A guide for school leaders. Obtido em 17 de janeiro de 2012, de ICTWorkshops Wikispaces: http://ictworkshops.wikispaces.com/file/view/choosing_digital_resources.pdf
Borges, J. (2007). Software livre na educação. Obtido em janeiro de 2012, de CRIE: http://www.crie.min-edu.pt/index.php?section=229&module=navigationmodule
Campos, F. (2009). Dos Recursos Digitais Educativos aos objetos de aprendizagem em contexto escolar. Obtido em janeiro de 2012, de Slideshare: http://www.slideshare.net/fernandocampos/dos-recursos-educativos-digitais-aos-objectos-de-aprendizagem-em-contexto-escolar
Carneiro, R. (2010). Recursos Educativos Digitais - Um Serviço Público. Obtido em janeiro de 2012, de plano tecnológico educação: http://www.pte.gov.pt/idc/idcplg?IdcService=GET_FILE&dID=22140&dDocName=022005644 [descarga]
Castro, C., Ferreira, S., & Andrade, A. (2011). Repositórios de Recursos Educativos Digitais em Portugal no Ensino Básico e Secundário. Obtido em janeiro de 2012, de Academia.edu: http://ucp.academia.edu/sergioandreferreira/Papers/692162/Repositorios_de_Recursos_Educativos_Digitais_em_Portugal_no_Ensino_Basico_e_Secundario
Commonwealth of Learning & UNESCO. (2011). Guidelines for OER in Higher Education. Obtido em 10 de 11 de 2011, de Taking OER beyond the OER Community: http://www.col.org/PublicationDocuments/Guidelines_OER_HE.pdf
ERAC. (2008). Evaluating, Selecting and Acquiring Learning Resources: A Guide. Obtido em janeiro de 2012, de Educational Resource Acquisition Consortium: http://www.bcerac.ca/docs/ERAC_WB.pdf
Graça, V. (2006). Avaliação de Locais Virtuais de Conteúdo Educativo. Obtido em janeiro de 2012, de CRIE: http://www.crie.min-edu.pt/index.php?section=224
Hemetsberger, A. (2003). When Consumers Produce on the Internet:The Relationship between Cognitive-affective, Socially-based, and Behavioral Involvement of Prosumers. Obtido em janeiro de 2012, de College of Information Sciences and Technology: http://citeseerx.ist.psu.edu/viewdoc/download?doi=10.1.1.4.9299&rep=rep1&type=pdf [descarga]
Jenkins, H. (2008). What is Participatory Culture? Obtido em janeiro de 2012, de MIT Tech TV: http://techtv.mit.edu/videos/704-what-is-span-classhighlightparticipatoryspan-culture
JISC. (2008). Re-purposing & re-use of digital university-level content & evaluation (RePRODUCE). Obtido em 14 de novembro de 2011, de JISC: http://www.jisc.ac.uk/whatwedo/programmes/elearningcapital/reproduce.aspx
Levin, B. (s.d.). Innovate or Improve our School System? [Vídeo]. Obtido em janeiro de 2012, de TVO Parents: http://tvoparents.tvo.org/video/168032/ben-levin-innovate-or-improve-our-school-system
Mota, J. (junho de 2009). Da Web 2.0 ao e-Learning 2.0: Aprender na Rede. Obtido em janeiro de 2012, de Orfeu.org: http://orfeu.org/weblearning20/
Nesbit, J., Belfer, K., & Leacock, T. (2003). Learning Object Review Instrument (LORI) - User Manual. Obtido em janeiro de 2012, de eLera: http://elera.net/eLera/Home/Articles/LORI%201.5.pdf
O'Reilly, T. (30 de 9 de 2005). What Is Web 2.0. Obtido em abril de 2010, de http://oreilly.com: http://oreilly.com/web2/archive/what-is-web-20.html
Pedroso, J. V. (coord.).  (2008). Recursos Educativos Digitais de Qualidade ao Serviço das Escolas. Obtido em novembro de 2011, de CRIE: http://www.crie.min-edu.pt/index.php?section=314&module=navigationmodule
Ramos, J. L. (outubro de 2010). Portal das Escolas – Recursos Educativos Digitais para Portugal: Estudo Estratégico. (GEPE, Ed.) Obtido em janeiro de 2012, de Scrib: http://pt.scribd.com/doc/47599559/14/Caracteristicas-e-qualidade-dos-recursos-educativos-digitais

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Atividade pedagógica com REA do Project Gutenberg & LibriVox


 Recursos Educacionais Abertos
Universidade Aberta
Docente José Mota





LibriVox

 Flicker, por bgolub
Wikimedia Commons





dezembro de 2011

Análise de Recursos Educativos

 Teresa Küffer

Seleção de dois REA online

Na continuação do percurso de estudo dos REA, as seguintes instruções deveriam ser respeitdas:
Fase 2 (28 de Novembro a 19 de Dezembro) - Seleção de 2 REA online, indicando de forma breve:
  • os endereços onde podem ser consultados
  • um conjunto de 5/6 critérios, explicitados e fundamentados sinteticamente, que presidiram à sua escolha
  • que adaptações faria (caso se aplique e estas sejam permitidas)
  • o modo como seriam usados, articuladamente ou cada um por si, numa atividade de aprendizagem (planificação de uma atividade de aprendizagem).
A minha seleção recaiu em dois recursos incluídos nos portais Project Gutenberg e LibriVox. O trabalho aqui fica.



Pode ainda visualizar o trabalho neste blogue cliclando nesta ligação.






Creative Commons Lizenzvertrag

domingo, 4 de dezembro de 2011

Recurso Aberto (?)

Delicious
Fonte: Flickr, por opensourceway 
O que faz com que um recurso que está online seja aberto?

Existem muitos recursos e documentos que estão colocados online e que o utilizador encontra, descarrega ou não e utiliza. Mas serão todos eles um recurso educacional aberto? A verdade é que para ser um recurso aberto, nas suas variadas formas (módulos, livros didáticos, artigos de pesquisa, vídeos, testes, software...) (UNESCO & COL, 2011),  deverá conter uma licença de utilização ou uma declaração explícita dos termos de utilização.

José Mota, docente na Universidade Aberta, explica:

Em termos simples e gerais, um recurso é REA se:

a) estiver num site que declare explicitamente que todos os recursos nele contidos têm uma licença CC (ou termos de utilização que cumpram o mesmo efeito);b) for acompanhado de uma licença CC ou termos de utilização que cumpram o mesmo efeito.

Qualquer recurso que não esteja nestas condições, ou seja, não é coberto por uma licença CC ou termos de utilização análogos do site onde se encontra, nem se faz acompanhar de uma licença CC ou termos de utilização análogos, deve considerar-se copyright tradicional. É por isso, por exemplo, que os recursos na grande maioria dos repositórios universitários, sendo de acesso aberto (podem ser lidos de forma gratuita), não são REA. 
Retirado de um  comentário no Moodle  do Curso MCEM Nov. 2011 
Onde poderemos encontrar REA online?
Existem cada vez mais instituições, na sua maioria instituições ligadas ao ensino ou bibliotecas, que compartilham os seus documentos, mas igualmente organizações tais como a UNESCO, COL e afins. Ademais, o número de comunidades que criam e partilham REA deverá aumentar com o aumento de conhecimento das vantagens dos REA.
Repare-se, nesta apresentação que segue, nos motores de busca que já existem para ajudar na pesquisa de REA:


Relativamente às licenças, as  mais conhecidas para tornar um recursos aberto são:

Creative Commons, CC
Fonte: are11uab 

Gnu
Fonte: Gnu Operating System
As várias licenças para documentos e software da Gnu (versão português do Brasil) pode ser consultada em: http://www.gnu.org/licenses/licenses.pt-br.html


Em Portugal, as licenças aplicadas são:

Mais informações sobre os REA podem ser encontrados no wiki are11uab, criada pelo professor José Mota, da Universidade Aberta, para albergar os trabalhos dos mestrandos do curso MCEM 2010/2012.

Bibliografia:

UNESCO & COL. (2011). Guidelines for Open Educational Resources (OER) in Higher Education. Obtido em 10 de 11 de 2011, de Commonwealth of Learning: http://www.col.org/PublicationDocuments/Guidelines_OER_HE.pdf 


Licença Creative Commons

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Potencialidades e desafios dos REA

Retomemos novamente à definição de Recursos Educacionais Abertos, já referida na Introdução aos REA, a definição mais comummente utilizada é a da Unesco:
 “materiais digitais oferecidos livremente e abertamente entre educadores, estudantes e autodidatas para usar e reusar no ensino, aprendizagem e pesquisa” (OCDE/CERI, 2007a)

Mas qual o significado de “open” e que deveremos considerar um recurso aberto?

Segundo Hilton III &Wiley (2010), citando McMartin (2007) um recurso aberto será aquele que está disponível livremente para outros reusarem em diferentes contextos. Ademais, aqueles autores referem ainda Wiley (2009), que explora níveis diferentes de abertura através dos quatro “Rs”:

Reuse – Nível base de abertura. Uso do todo ou de uma parte de um trabalho para os seus propósitos (ex.: descarregar um artigo e lê-lo a qualquer altura)
Redistribute – As pessoas podem partilhar o seu trabalho com outros (ex.: enviar um email a um colega com um artigo digital)
Revise – As pessoas podem modificar, traduzir ou alterar a forma do trabalho (ex.: traduzir um livro de inglês para português e colocá-lo em áudio)
Remix – Pegar em dois ou mais recursos e combiná-los para criar um novo recurso (ex.: combinar diferentes conferências de um curso e combiná-las num vídeo criando um novo curso).  Hilton III &Wiley (2010)

Segundo Wiley (2009), quanto mais destes níveis forem utilizados, maior será o nível de abertura. Veja-se a seguinte representação:


  Fonte: Hilton III & Wiley (2010) [adapt.]


Segundo D'Antoni (2008, pp. 14-15), os maiores produtores, adaptadores, partilhadores são os ligados ao ensino (instituições educativas, professores, estudantes, autodidatas). Ou seja, neste momento, os grandes beneficiadores deste movimento de abertura, que se tem feito sentir, serão em primeira linha estes académicos (OCDE/CERI, 2007b, pp. 39-55) (Hylén, 2006). 

Potencialidades
As potencialidades que esta evolução, desencadeada pelo surgimento da Web 2.0, que permitiu uma mudança do normal utilizador da rede de consumidor passivo para participante ativo, através das suas ferramentas de construção, adaptação e colaboração (O'Reilly, 2005), são imensas e estão intrinsecamente relacionadas com as vantagens associadas aos REA. De entre as várias existente reparemos aquelas relativas ao educadores:
• The altruistic motivation of sharing (as for institutions), which again is supported by traditional academic values.
• Personal non-monetary gain, such as publicity, reputation within the open community or “egoboo” as it is sometimes called.
• Free sharing can be good for economic or commercial reasons, as a way of getting publicity, reaching the market more quickly, gaining the first-mover advantage, etc.
• Sometimes it is not worth the effort to keep the resource closed. If it can be of value to other people one might just as well share it for free. (OCDE/CERI, 2007a, p. 12)

Desafios

Repare-se que para que um das presunções dos REA, segundo a definição da Unesco de 2002, é o acesso ao conhecimento (Atkins, Brown, & Hammond, 2007). No entanto, este só pode existir somente quando há ligação à internet. Como dotar as múltiplas escolas e os vários lares que ainda se encontram desprovidos de tal ligação? De que forma poderão os REA beneficiar todos aqueles que não têm ligação à internet para aceder aos diversos conteúdos aí colocados? São os REA, de facto, um conjunto de recursos aberto a todos ou somente a um grupo de privilegiados, diga-se países desenvolvidos ou em via de desenvolvimento, e restrito a grupos confinados (académicos) (Mulde, 2008, p. 90)? Esta é uma das críticas aos REA referida por Esham (2011). Embora sejam feitos esforços para que o conhecimento em todas as partes do mundo seja geral, existe ainda locais onde simplesmente não é ainda possível ter acesso a estes avanços tecnológicos que permitem uma educação a qualquer hora (Lane, 2009). No entanto, a educação em alguns países continua a pertencer a uma elite e não extensiva a todos, como o Professor Ihron Rensburg numa entrevista a Bongani Nkosi disse, referindo-se à quantidade de estudantes de origens desfavorecidas que tentavam inscrever-se na Universidade de Joanesburgo "It would be criminal do deny them access" (Nkosi, 2012). 

Outro desafio que se coloca é a melhoria de qualidade dos REA que estão na rede e que poderão vir a surgir nos próximos tempos. Quem certifica essa qualidade? Que trâmites seguir nessa certificação de qualidade? A qualidade é uma das prioridade manifestada pelo relatório da Unesco & COL (2011, pp. 13-14)

A constante produção, adaptação, partilha e uso das informações que abundam na rede, relembra algo que George Siemens referiu numa entrevista à educare.pt:
"o maior desafio que os indivíduos e as organizações vão enfrentar nas próximas décadas será dar sentido a esta abundância [de informação]" (Siemens, 2010) 
Ademais, segundo o relatório OLCOS Roadmap 2012, os educadores seriam os primeiros a ter interesse no uso, adaptação e criação de REA. Contudo, é ainda referido que a maioria dos educadores não tem tempo nem as capacidades necessárias para criar estes materiais de educação e faltam-lhes incentivos para tal (OLCOS, 2007, pp. 24-25). Como colmatar estas lacunas na formação (OECD/CERI, 2007, p. 17) e como criar tempo e incentivos para tornar atrativa a criação de REA?


Como armar todos os usadores do conhecimento das diversas formas de licenciamento existentes que permitem o uso, adaptação e mescla de recursos existentes?

Conclusão
Embora tenham sidos criados guias orientadores para os vários intervenientes (governos, instituições, académicos e entidade de acreditação de qualidade) (Commonwealth of Learning & UNESCO, 2011), a verdade é que ainda existem alguns desafios por enfrentar para que os REA sejam universais e acessíveis a todos como idealmente seria desejado.

Imagine a world in which every single person is given free access to the sum of all human knowledge. (Downes, 2007) [citando Jimmy Wales]

David Wiley (2012), na apresentação que se segue, demonstra como os REA são uma evolução natural na forma como a partilha de conhecimento tem evoluído na rede. Wiley percorre as motivações para a criação de REA, indica as implicações para a educação, refere os custos inerentes e instiga à produção com qualidade, à manutenção dos REA existentes e à inovação dos REA por criar.
Why Be Open? More presentations from David Wiley Licença CC: CC Attribution-NonCommercial-ShareAlike License


José Mota (2011) participou na conferência myMPeL, explorando exatamente esta temática. Define REA, tipos de REA, distingue níveis de abertura, tipos de licença Creative Commons, antes de revelar as potencialidades e desafios envolvidos na criação, uso, adaptação e partilha de REA.

Bibliografia:

Atkins, D., Brown, J. S., & Hammond, A. (fevereiro de 2007). A Review of the Open Education Resources (OER) Movement: Achievements, Callenges, and New Opportunities. Obtido a 1 de novembro de 2011, de http://www.hewlett.org/uploads/files/Hewlett_OER_report.pdf
Commonwealth of Learning & UNESCO. (2011). Guidelines for OER in Higher Education. Obtido a 10 de novembro de 2011, de Taking OER beyond the OER Community: http://www.col.org/PublicationDocuments/Guidelines_OER_HE.pdf
D'Antoni, S. (fevereiro de 2008). Open Educational Resources - The Way Forward. (U. &. IIEP, Ed.) Obtido a 10 de novembro de 2011, de OERWIKI: http://oerwiki.iiep.unesco.org/images/4/46/OER_Way_Forward.pdf
Downes, S. (2007). Models for Sustainable Open Educational Ressources. Obtido a 9 de novembro de 2011, de http://ijklo.org/Volume3/IJKLOv3p029-044Downes.pdf
Esham, B. (11 de outubro de 2011). Open educational resources. Obtido a 6 de setembro de 2011, de Wikipédia: http://en.wikipedia.org/wiki/Open_educational_resources
Hilton III, J., & Wiley, D. (2010). The Creation and Use of Open Educational Resources in Christian Higher Education. Obtido a 30 de outubro de 2011, de Brigham Young University: http://contentdm.lib.byu.edu/cdm4/item_viewer.php?CISOROOT=/IR&CISOPTR=759&CISOBOX=1&REC=13#metajump 
Hylén, J. (2006). Open Educational Resources: Opportunities and Challenges. OECD’s Centre for Educational Research and Innovation. (O. C. Innovation, Ed.) Obtido a 1 de novembro de 2011, de OCDE: http://www.oecd.org/dataoecd/5/47/37351085.pdf
Knosi, B. (2012, 13 de janeiro). It would be criminal to deny them access. Mail&Guardian Online. Obtido a 27 de janeiro de 2012, de http://mg.co.za/article/2012-01-13-it-would-be-crimincal-to-deny-them-access
Lane, A. (2009). The Impact of Openness on Bridging Educational Digital Divides. The International Review of Research in Open and Distance Learning.  Vol 10, No 5. Obtido a 20 de janeiro de 2012, de IRRODL: http://www.irrodl.org/index.php/irrodl/article/view/637/1396 
Mota, J. (2011). Recursos Educacionais abertos: Potencialidades e desafios [Apresentação]. Obita a 21 de outubro de 2011, de SlideShare: http://www.slideshare.net/josemota/recursos-educacionais-abertos-potencialidades-e-desafios 
Mulde, J. (2008). Knowledge Dissemination in Sub-Saharan Africa: What Role for Open Educational Resources (OER)? Obtido a 21 de novembro de 2011, de http://www.gg.rhul.ac.uk: http://www.gg.rhul.ac.uk/ict4d/workingpapers/mulderOER.pdf
OCDE/CERI. (2007a). Giving Knowledge for Free - THE EMERGENCE OF OPEN EDUCATIONAL RESOURCES. Obtido a 1 de novembro de 2011, de http://www.oecd.org/dataoecd/35/7/38654317.pdf
OECD/CERI. (2007b). Learning in the 21st Century: Research, Innovation and Policy. (OECD/CERI, Ed.) Obtido em maio de 2011, de OECD/CERI International Conference: http://www.oecd.org/dataoecd/39/51/40554230.pdf
OLCOS. (janeiro de 2007). Open Educational Practices and Resources - OLCOS Roadmap 2012. (G. Geser, S. Research, & E. Grouo, Edits.) Obtido a 8 de novembro de 2011, de Open e-Learning Content Observatory Services: http://www.olcos.org/cms/upload/docs/olcos_roadmap.pdf
O'Reilly, T. (30 de setembro de 2005). What Is Web 2.0. Obtido em abril de 2010, de http://oreilly.com: http://oreilly.com/web2/archive/what-is-web-20.html
Siemens, G. (12 de abril de 2010). A informação torna-se conhecimento através das conexões. Obtido em maio de 2010, de www.educare.pt: http://www.educare.pt/educare/Atualidade.Noticia.aspx?contentid=7803CC2C0128DB46E0400A0AB8002557&schemaid=&opsel=1
Wiley, D. (2012). Why OER [Apresentação]. Obtida a 27 de janeiro de 2012, de Slideshare:  http://www.slideshare.net/opencontent/why-be-open   

Revisto a  27 de janeiro de 2012
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